TRANSFORMANDO A DEFICIÊNCIA EM EFICIÊNCIA
Gisela Bordwell - Formada em Pedagogia pela Universidade São Marcos
Segunda secretária do CVI/SP


As pessoas com algum tipo de deficiência, que nascem em lares com pouca informação, acabam passando uma imagem pejorativa para as outras pessoas. Não conseguem lidar com suas dificuldades e não percebem suas possibilidades enquanto pessoas independentes que são. Com isso elas vestem a camisa de um "coitadinho" dominado pela família sem se colocar como pessoa crítica e participante no mundo, se deixando alimentar, vestir, enfim, ser dominado por um integrante da família. Ninguém sofre com a deficiência, todos sofrem com o estigma. Desse modo, a atitude dos pais e familiares que, no fundo acreditam numa "anormalidade" do filho, influencia negativamente a constituição física e intelectual, bem como a personalidade da criança com deficiência.

Já os pais das pessoas com maior esclarecimento sobre a eternidade da alma ou vidas passadas conseguem compreender melhor os percalços de cada existência e as razões de suas atribulações. A partir disso entendem melhor o fato de seus filhos viverem em circunstância da deficiência, e passam a assumir um papel diferente, atuando no sentido de fazer com que aquela dificuldade receba uma conotação de desafio superado. Mas para que isso ocorra os pais devem acreditar em seus filhos e passar essa confiança durante a infância, deixando a criança tomar iniciativas e decisões próprias, mesmo que não seja a mais acertada, mas certamente ela se desenvolverá com maior autoconfiança.

Quando essa criança se tornar adulta, será uma pessoa centrada e segura de si. Ela conquistará um estilo de vida independente, em relação à autonomia familiar ou institucional e estará imbuída de seu poder pessoal para fazer escolhas e assumir a responsabilidade por si mesma, independentemente do tipo ou grau de severidade de sua deficiência.

No caso de uma família ter um filho sem e outro com deficiência, cabe aos pais saber estruturar a educação de seus filhos, de maneira que cada um deles receba a atenção devida, dentro das necessidades de cada um, sem haver superproteção. Deixar que cada um se desenvolva dentro daquilo que puder oferecer de melhor no que se refere à sua questão física, motora e intelectual. E sempre fazer com que esse irmão não deficiente jamais sinta vergonha das diferenças entre eles. Mas para que isso ocorra, os pais devem ter um grau de esclarecimento muito elevado a respeito das potencialidades das pessoas com deficiência e passar essa confiança para seu filho através da educação ao longo da vida.

O que acaba acontecendo é há aprendizado muito maior que os pais passam para seus filhos, de modo que percebam a vida de uma outra maneira, valorizando cada progresso e vitória apesar da limitação.