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Elaine
Utsunomiya/Equipe O DIÁRIO
A
Lei das Calçadas continua polarizando discussões na cidade.
Depois da aprovação do uso de 25% dos passeios públicos
por comerciantes para exposição de mercadorias e colocação
de mesas e cadeiras, a polêmica agora gira em torno do projeto complementar
que libera a utilização da calçada, por bares, restaurantes
e similares, após às 18 horas.
A nova proposta inserida na pauta de votação, de ontem,
em regime de urgência, foi a protagonista da sessão e levou
representantes de associações de bairro, entidades organizadas
e comerciantes ao plenário da Câmara. Depois de um longo
debate, o projeto foi aprovado por 12 votos a 6. O ítem passará
por segunda votação, amanhã.
Os vereadores Walter Guerlles e Edith Dias, que apresentaram o projeto
complementar, justificam que a redução dos espaços
para os clientes também anunciam diminuição do quadro
de funcionários, como vem atentando alguns comerciantes. A matéria
está sendo defendida como 'meio termo'. De dia, das 8 às
18 horas (durante a semana), ocupação até 25% do
passeio público, após o horário, permissão
de uso maior, desde que observado o vão livre de 1,20 metro.
Aos sábados, liberação a partir das 12 horas. Domingos
e feriados, em período integral. A atual proposta também
prevê que os donos de bares e restaurantes poderão estender
a utilização da calçada, mediante autorização
de proprietários dos imóveis vizinhos. Guerlles continua
argumentando que o projeto original não foi criado com o intuito
de prejudicar, no caso o comerciante e lembra que Maringá tem um
problema sério de desemprego.
ABAIXO
ASSINADO
Nelson
Alves, proprietário de um barzinhos nas imediações
da UEM, entregou ontem aos vereadores autores do projeto um abaixo assinado
subscrito por mais de 400 acadêmicos, em apoio ao pedido de uma
solução que contemple os comerciantes - a exemplo da proposta
Guerlles e Edith Dias.
De acordo com Alves, a restrição da ocupação
das calçadas influi diretamente no movimento do estabelecimento
e, por conseqüência no rendimento. "Se a emenda não
for aprovada, certamente terei de dispensar três funcionários.
Fecharei o bar e irei embora", afirma. O comerciante garante ser
favorável a limitação de um espaço de trânsito
dos pedestres, mas ressalta que boa parte dos empresários dependem
das mesas ao ar livre.
Pedro Guilherme, garçom de outro bar em Maringá, mostrou-se
bastante preocupado com o desenrolar da lei. "Os donos vão
demitir, sim. O projeto não vai prejudicar quem anda nas ruas,
mesmo porque o fluxo maior de pessoas nos bares é depois das 22
horas", pondera.
Proposta desagrada deficientes
O
Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, representado
por Ana Paula Scramin, fez questão de acompanhar a sessão
e manifestar desagrado à proposta. Ela diz que o projeto fere a
Constituição, que garante a facilidade do acesso aos bens
e serviços coletivos, coma eliminação de preconceitos
e obstáculos arquitetônicos.
Scramin afirma que a calçada é pública, não
pertence ao comerciante e foi criada para o trânsito de pedestre,
sendo 'ideal' que servisse apenas para este fim. "Havia abuso em
Maringá e a na verdade a lei aprovada garante ocupação
de 25% das calçadas, mas liberar o seu uso após às
18 horas é de limitar o trânsito de pedestres nas ruas",
comenta. "Temos o direito de andar livremente a qualquer horário",
acrescenta.
A presidente não acredita que, na prática, o vão
livre de 1,20 para passagem de pedestres será observado. "Arrasta-se
uma mesa aqui, a cadeira lá e não temos espaço para
andar, principalmente com uma cadeira de rodas. Quantas e quantas vezes
muitos de nós não foi obrigado a andar na rua por causa
da ocupação abusiva", atenta.
O conselho esperava ser chamado para discutir o projeto antes de sua votação,
em se tratando de assunto de interesse, também, da pessoa com deficiência.
Um dos objetivos do órgão - que tem poderes deliberativos
- é de formular e encaminhar propostas ao Executivo, Legislativo
e Sociedade Civil, com a finalidade de implementação de
políticas públicas aos portadores de deficiência.
Advogada vai à justiça
Patrícia
Santos d'Oli-veira, secretária da Comissão da Cidadania
da OAB - Subseção Maringá, afirmou que seriam tomadas
medidas judiciais para anular os efeitos no caso de aprovação
da nova proposta.
A advogada relaciona a qualidade de vida da população com
a observação dos direitos do cidadão. "Há,
ainda, a questão do planejamento da cidade.
Os empresários que se adequaram à lei investindo em infra-estrutura
serão 'lesados' podendo até deixar a cidade", ressalta
ela considerando que os empregados supostamente demitidos, em razão
da lei, seriam facilmente absorvidos por outras empresas. "Não
queremos que ninguém feche", atenta.
Na avaliação de César Gualberto, presidente Associação
dos Deficientes Visuais de Maringá (Adevimar), a aprovação
da matéria significa ato de exclusão aos cegos. "Não
importa o horário. Precisamos da calçada livre para poder
andar e isso não acontece em muitos lugares", menciona ele
relatando que vai mobilizar os companheiros na tentativa de sensibilizar
as autoridades dos problemas de acessibilidade da população
portadora de deficiência.
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