|
| NOTA:
Este texto é para ser utilizado pelas DIRs e Secretarias Municipais
de Saúde, no dia 27 de Janeiro de 2002 (Lei Estadual nº
9880 de 10/12/1997 considerado o Dia Estadual de Combate à
Hanseníase no Estado de São Paulo) para anunciar a realização
da Campanha Estadual de Combate à Hanseníase, a ser
realizada no período de 22 a 26 de Abril de 2002 em todos os
municípios do Estado. |
A
Hanseníase, doença infecto-contagiosa causada por uma micobactéria,
foi durante séculos o agravo à saúde que mais atemorizou
a população, por ter permanecido até muito recentemente
sem tratamento específico.
Assim, durante muitos anos o isolamento compulsório dos doentes
foi a medida recomendada, sendo abolido no país em 1962, mas, na
prática, continuou acontecendo ainda por vários anos, contribuindo
para o preconceito social ainda hoje observado na população
em geral.
Os antigos hospitais de isolamento começaram a passar por transformações
uma vez que na atualidade os doentes não são e não
devem mais ser isolados e sim tratados em ambulatórios, mantendo
suas atividades de trabalho e seus vínculos sociais.
O avanço da medicina na luta contra esta enfermidade, teve na terapêutica
importantes descobertas de medicamentos neste século, como as Sulfonas
na década de 40, a Clofazimina na década de 60 e a Rifampicina
na década de 70, e os resultados do uso destes medicamentos trouxeram
a tão esperada CURA, muito embora numa duração de
tratamento, na época, mais ou menos longa (até 5 anos).
No inicio da década de 80, estudos da Organização
Mundial de Saúde mostraram que o uso concomitante dos medicamentos
acima citados curavam os doentes mais rapidamente e este esquema terapêutico
denominado "poliquimioterapia" começou a ser implantado
em todos os países endêmicos, entre os quais o Brasil. No
início da década de 90 a duração do tratamento
foi reduzida, curando-se os pacientes mais rapidamente (6 meses a 2 anos).
Os resultados que vêm sendo observados são promissores e,
nestes últimos 10 anos foram CURADOS mais de 10 milhões
de doentes no mundo, dentre os quais mais de 300.000 no Brasil.
Por ser uma doença transmissível crônica de evolução
lenta, a cadeia de transmissão ainda permanece no mundo e no Brasil
e, apesar dos importantes avanços observados, ainda existem mais
de 800.000 doentes espalhados por todos os continentes, dos quais mais
de 60.000 estão no Brasil que é o segundo no mundo em número
absoluto de doentes.
Assim, apesar dos importantes avanços da medicina na luta contra
esta doença, o Brasil ainda conta com um elevado número
de doentes e, o que é mais grave, a cada ano que passa descobre
um número maior de casos novos. No ano de 2000 foram mais de 40.000
casos novos em todo o país, mostrando que apesar de tudo, esta
ainda é uma importante endemia nacional.
Mas, se já existem recursos terapêuticos eficazes há
quase 20 anos que CURAM num tempo relativamente curto, por que ainda existem
tantos doentes no nosso país?
Pelo simples fato que os recursos existentes precisam estar acessíveis
a toda população e não estão. Há necessidade
da existência de uma rede de serviços espalhada por todo
o país capacitada para diagnosticar precocemente, tratar adequadamente,
inclusive prevenindo e tratando as incapacidades físicas e impedindo
a marginalização social dos doentes e seus familiares. Há
também necessidade do suprimento adequado de medicamentos e outros
insumos necessários para que os serviços existentes possam
trabalhar de forma satisfatória o que, de certa forma, também
não acontece. E é também necessário que toda
a população conheça os sinais e sintomas iniciais
desta doença (manchas esbranquiçadas na pele com diminuição
ou abolição da sensibilidade ao tato, mudanças de
temperatura e dor) para saber o momento certo de procurar um serviço
de saúde e que saiba, também, que estes doentes depois que
iniciam o tratamento não transmitem mais a doença, não
se justificando mais o estigma social ainda existente.
Por outro lado, pela dedicação de muitos dos profissionais,
alguns resultados importantes vêm sendo observados, como um número
elevado de curas reduzindo de forma significativa o número de doentes
em tratamento no país e o aumento da cobertura de serviços,
refletindo no maior número de casos novos diagnosticados. Estes
fatos acabam por determinar uma menor atenção das autoridades
governamentais mais preocupadas com outros agravos à saúde
que requerem intervenção mais urgente tais como a falta
de leitos hospitalares/custeio desta assistência, epidemias de sarampo,
meningite, dengue, crescimento da Tuberculose e da AIDS, etc.
Assim, se por um lado a ciência propiciou os recursos necessários
para o combate eficaz desta doença, em alguns países, entre
os quais o Brasil, a Hanseníase ainda se constitui em importante
problema de saúde pública, havendo necessidade de esforços
conjugados de todas as instituições governamentais (federais,
estaduais e municipais) bem como envolvimento de toda a sociedade civil
na luta contra esta enfermidade, infelizmente ainda prevalente no Brasil.
O último domingo de Janeiro, há anos considerado Dia Mundial
do Doente de Hanseníase foi oficializado no Estado de São
Paulo pela Lei Estadual n.9.880 de 10/12/97, como o "Dia Estadual
de Combate à Hanseníase" e, neste dia, devemos estar
atentos para o fato de que esta é uma doença que somente
vai continuar existindo se não formos capazes de eliminá-la,
pois as armas necessárias para este combate são conhecidas
e disponíveis.
Os avanços observados no Estado de São Paulo que também
vem curando um número elevado de doentes (mais de 40.000 nos últimos
10 anos), ainda não foi suficiente para eliminar esta doença
e ainda hoje temos mais de 5.000 casos registrados e descobrimos quase
3.000 casos novos a cada ano.
O apoio contínuo de organizações não governamentais
(American Leprosy Mission e Fundação Paulista Contra a Hanseníase)
tem sido muito importante no combate a esta endemia e, as avaliações
dos resultados do controle nos últimos anos mostra um grande avanço
e tem aberto a perspectiva de que este Estado poderá eliminar a
Hanseníase como problema de Saúde Pública reduzindo
a prevalência para menos de 1 doente em cada 10.000 habitantes (atualmente
a prevalência é de 1,6/10.000 hab.), mas, para que esta meta
seja alcançada, há necessidade do envolvimento de todos.
O "Dia Estadual de Combate à Hanseníase" deve
se constituir num dia de lutas e de reflexões na busca de estratégias
e intervenções que efetivamente coloquem este Estado no
rumo da eliminação desta doença como problema de
saúde pública.
Assim, queremos neste dia anunciar a realização da Campanha
Estadual de Combate à Hanseníase a ser realizada no período
de 22 a 26 de Abril de 2002, quando todos os serviços que realizam
as ações de controle em praticamente todos os municípios
do Estado de São Paulo estarão aptos para receber todas
as pessoas que tiverem manchas na pele com alteração de
sensibilidade (dormentes) para diagnóstico e início do tratamento.
A Coordenação do Programa de Controle da Hanseníase
do Estado de São Paulo/C.V.E. recomenda que todas as regionais
de saúde integrem-se com as secretarias municipais de saúde,
as equipes de nível local e os movimentos organizados da sociedade
civil divulgando os sinais e sintomas desta doença junto a população
em geral bem como identificando e resolvendo as dificuldades que impedem
a oferta de serviços de melhor qualidade.
Solicitamos também o empenho de todas as Regionais de Saúde
para divulgação desta nota nos meios de comunicação
locais (televisão, rádios, jornais, serviços de alto-falantes,
etc.) no último Domingo de Janeiro, anunciando a Campanha Estadual
na última semana de Abril e, organizando-se de forma tal a receber
a clientela no período de 22 a 26 de Abril de 2002 para suspeição,
diagnóstico e tratamento de todos os casos.
Dr.
Wagner Nogueira
Programa de Controle da Hanseníase
SES/CIP/CVE/São Paulo
|