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04/08/2006 - TENISTA BRASILIENSE ABRE CAMINHOS PARA A MODALIDADE PARAOLÍMPICA ENTRE ATLETAS FEMININAS


Tenista brasiliense abre caminhos para a modalidade entre atletas femininas A tenista Rejane Cândida tem 29 anos e há apenas 4 começou a se envolver com o esporte adaptado. Mesmo tendo sido sempre uma pessoa muito ativa, que adorava nadar e circular para todos os cantos com sua cadeira de rodas, considerava suas atividades uma forma de lazer. Hoje é uma atleta profissional. Detém o primeiro lugar no ranking feminino nacional de tênis paraolímpico e o vigésimo quinto no ranking masculino, que conta com a participação de cinqüenta atletas.

Para quem estranha sua participação no ranking masculino, ela explica que até o ano passado o Brasil simplesmente não tinha o número suficiente de atletas para competir em campeonatos nacionais e formar uma chave. A situação a obrigava e ainda obriga a competir com os homens. No início deste ano, durante o Open de Tênis de Goiana, houve a participação de quatro atletas tenistas, o que tornou possível uma somatória de pontos para o ranking feminino.

No cenário mundial a situação é bem diferença. "Há esportistas com muita experiência. Competir com as meninas de fora é muito difícil", afirma. No último Mundial de Cadeira de Rodas, em Brasília, vieram as melhores tenistas do mundo. Pela primeira vez, o Brasil teve uma representante feminina. O objetivo de Rejane era não terminar em último lugar e assim garantir participação para o próximo mundial, que ocorrerá na Suíça, mas ainda sem data definida. "Ficamos com o 12º lugar", comemora.

Acaso

Há quatro anos, Rejane, que tem seqüela de pólio e por isto utiliza cadeira de rodas, foi vista em Brasília pelo técnico de um time de basquete feminino em cadeira de rodas. "Ele se aproximou, disse que eu tinha muita desenvoltura com a cadeira e sugeriu que eu fosse assistir um treino."

No primeiro treino que assistiu, Rejane sentiu-se a vontade para entrar na quadra e logo tornou-se atleta de basquete. Mais tarde, foi convidada para jogar tênis pelo projeto Inserir, que atua com inclusão através do esporte adaptado, também em Brasília. Hoje, ela faz parte do Centro de Treinamento de Brasília (CETEF), onde desenvolve sua técnica e condicionamento físico.

Balé clássico

Recentemente Rejane resolveu encarar outro desafio e começou a participar de um grupo de balé para cadeirantes. Para ela, aliar a dança ao esporte significou um casamento perfeito, já que começou a sentir-se mais delicada e precisa nas suas colocadas de bola. "Comecei a dançar sem saber o que encontraria. Hoje é uma atividade que adoro."

A união das atividades ajudou a tenista a perceber que tanto no esporte, quanto na vida, é preciso intercalar momentos de explosão e adrenalina com momentos de delicadeza.