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Informações Básicas sobre Deficiência Auditiva |
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1. DEFINIÇÃO Deficiência
auditiva é considerada genericamente como a diferença
existente entre a performance do indivíduo e a habilidade normal
para a detecção sonora de acordo com padrões
estabelecidos pela American National Standards Institute (ANSI - 1989).
Hipoacusia - refere-se a uma redução na sensitividade
da audição, sem qualquer alteração da
qualidade de audição. O aumento da intensidade da
fonte sonora, possibilita uma audição bastante adequada.
Disacusia - refere-se a um distúrbio na audição,
expresso em qualidade e não em intensidade sonora. O aumento
da intensidade da fonte sonora não garante o perfeito entendimento
do significado das palavras
3. TIPOS DE DEFICIÊNCIA AUDITIVA DEFICIÊNCIA
AUDITIVA CONDUTIVA: Qualquer interferência na transmissão
do som desde o conduto auditivo externo até a orelha interna
(cóclea). A orelha interna tem capacidade de funcionamento
normal mas não é estimulada pela vibração
sonora. Esta estimulação poderá ocorrer com
o aumento da intensidade do estímulo sonoro. A grande maioria
das deficiências auditivas condutivas pode ser corrigida através
de tratamento clínico ou cirúrgico.
DEFICIÊNCIA
AUDITIVA SENSÓRIO-NEURAL: Ocorre quando há uma
impossibilidade de recepção do som por lesão
das células ciliadas da cóclea ou do nervo auditivo.
Os limiares por condução óssea e por condução
aérea, alterados, são aproximadamente iguais. A diferenciação
entre as lesões das células ciliadas da cóclea
e do nervo auditivo só pode ser feita através de métodos
especiais de avaliação auditiva. Este tipo de deficiência
auditiva é irreversível.
DEFICIÊNCIA
AUDITIVA MISTA: Ocorre quando há uma alteração
na condução do som até o órgão
terminal sensorial associada à lesão do órgão
sensorial ou do nervo auditivo. O audiograma mostra geralmente limiares
de condução óssea abaixo dos níveis
normais, embora com comprometimento menos intenso do que nos limiares
de condução aérea.
DEFICIÊNCIA AUDITIVA CENTRAL, DISFUNÇÃO AUDITIVA
CENTRAL OU SURDEZ CENTRAL: Este tipo de deficiência auditiva
não é, necessariamente, acompanhado de diminuição
da sensitividade auditiva, mas manifesta-se por diferentes graus
de dificuldade na compreensão das informações
sonoras. Decorre de alterações nos mecanismos de processamento
da informação sonora no tronco cerebral (Sistema Nervoso
Central).
4. GRAUS DE SEVERIDADE DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA Os níveis de limiares utilizados para caracterizar os graus de severidade da deficiência auditiva podem ter algumas variações entre os diferentes autores. Segundo critério de Davis e Silverman, 1966: Deficiência
Auditiva Profunda - Limiares acima de 90 dB.
Indivíduos com níveis de perda auditiva leve, moderada e severa são mais freqüentemente chamados de deficientes auditivos, enquanto os indivíduos com níveis de perda auditiva profunda são chamados surdos. 5. CAUSAS DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA CONDUTIVA Cerume
ou corpos estranhos do conduto auditivo externo.
Otite externa: infecção bacteriana da pele do conduto
auditivo externo.
Otite média: processo infeccioso e/ou inflamatório
da orelha média, que divide-se em: otite média secretora;
otite média aguda; otite média crônica supurada
e otite média crônica colesteatomatosa.
Estenose ou atresia do conduto auditivo externo (redução
de calibre ou ausência do conduto auditivo externo). Atresia
é geralmente uma malformação congênita
e a estenose pode ser congênita ou ocorrer por trauma, agressão
cirúrgica ou infecções graves.
Miringite Bolhosa (termo miringite refere-se a inflamação
da membrana timpânica). Acúmulo de fluido entre as
camadas da membrana timpânica, em geral associado a infecções
das vias respiratórias superiores.
Perfurações da membrana timpânica: podem ocorrer
por traumas externos, variações bruscas da pressão
atmosférica ou otite média crônica supurada.
A perda auditiva decorre de alterações da vibração
da membrana timpânica. É variável de acordo
com a extensão e localização da perfuração.
6. CAUSAS DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA SENSÓRIO-NEURAL
Causas pré-natais:
de origem hereditárias (surdez herdada monogênica,
que pode ser uma surdez isolada da orelha interna por mecanismo
recessivo ou dominante ou uma síndrome com surdez); e uma
surdez associada a aberrações cromossômicas.
de origem não hereditárias (causas exógenas),
que podem ser:
Infecções maternas por rubéola, citomegalovírus, sífilis, herpes, toxoplasmose. Drogas ototóxicas e outras, alcoolismo materno Irradiações, por exemplo Raios X Toxemia, diabetes e outras doenças maternais graves
Causas perinatais
Prematuridade
e/ou baixo peso ao nascimento
Trauma de Parto - Fator traumático / Fator anóxico
Doença hemolítica do recém-nascido ( ictericia
grave do recém-nascido)
Causas pós-natais
Infecções - meningite, encefalite, parotidite epidêmica
(caxumba), sarampo
Drogas ototóxicas
Perda auditiva induzida por ruído (PAIR)
Traumas
físicos que afetam o osso temporal
7. DADOS ESTATÍSTICOS
Estima-se que 42 milhões de pessoas acima de 3 anos de idade
são portadoras de algum tipo de deficiência auditiva,
de moderada a profunda (OMS). Há expectativa que o número
de perdas auditivas na população mundial chegue a
57 milhões no ano 2000.
Aproximadamente
0,1% das crianças nascem com deficiência auditiva severa
e profunda (Northern e Downs, 1991). Este tipo de deficiência
auditiva é suficientemente severa para impedir a aquisição
normal da linguagem através do sentido da audição
Mais de 4% das crianças consideradas de alto risco são
diagnosticadas como portadoras de deficiência auditiva de
graus moderado a profundo (ASHA)1
Aproximadamente 90% das crianças portadoras de deficiência
auditiva de graus severo e profundo são filhos de pais ouvintes
(Northern e Downs, 1991)2
Nos Estados Unidos pesquisas indicam que a prevalência de
deficiências auditivas sensorioneurais é de 5,95 para
cada 1000 nascidos vivos e nas deficiências auditivas por
alterações do ouvido médio é de 20 para
cada 1000 nascidos vivos
Segundo a O.M.S. (1994)3 estima-se que 1,5% da população
brasileira, ou seja, cerca de 2.250.000 habitantes são portadores
de deficiência auditiva, estando esta em terceiro lugar entre
todas as deficiências do país
Aproximadamente 1.053.000 de crianças abaixo de 18 anos têm
algum grau de deficiência auditiva, com índice de prevalência
de 16,1 por 1000 (Bess e Humes 1995)4
8. FATORES DE RISCO Baseados nos critérios do "Joint Committee on Infant Hearing" (1994) e na experiência clínica e científica de profissionais participantes do Fórum de Debates: Criança e Audição, realizado durante o X Encontro Internacional de Audiologia, Bauru, Estado de São Paulo, 8 a 11 de Abril de 1995, alguns fatores que podem causar deficiência auditiva são:
Antecedentes familiares de deficiência auditiva, levantando-se
se há consangüinidade entre os pais e/ou hereditariedade.
Infecções
congênitas suspeitadas ou confirmadas através de exame
sorológico e/ou clínico (toxoplasmose, rubéola,
citomegalovírus, herpes e sífilis)
Peso
no nascimento inferior a 1500g e/ou crianças pequenas para
a idade gestacional (PIG)
Asfixia
severa no nascimento, com Apgar entre 0-4 no primeiro minuto e 0-6
no quinto minuto.
Hiperbilirrubinemia
com índices que indiquem exanguíneo transfusão.
Ventilação
mecânica por mais de dez dias
Alterações
crânio-faciais, incluindo as síndromes que tenham como
uma de suas características a deficiência auditiva.
Meningite,
principalmente a bacteriana.
Uso
de drogas ototóxicas por mais de cinco dias.
Permanência
em incubadora por mais de sete dias.
Alcoolismo
ou uso de drogas pelos pais, antes e durante a gestação.
9. IDENTIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICO O diagnóstico das deficiências de audição é realizado a partir da avaliação médica e audiológica. Em geral a primeira suspeita quanto à existência de uma alteração auditiva em crianças muito pequenas é feita pela própria família a partir da observação da ausência de reações a sons, comportamento diferente do usual (a criança que é muito quieta, dorme muito e em qualquer ambiente, não se assusta com sons intensos) e, um pouco mais velha, não desenvolve linguagem. A busca pelo diagnóstico também poderá ser originada a partir dos programas de prevenção das deficiências auditivas na infância como o registro de fatores de risco e triagens auditivas. O profissional de saúde procurado em primeiro lugar é geralmente o pediatra, o qual encaminhará a criança ao otorrinolaringologista, quando se iniciará o diagnóstico. Este profissional fará um histórico do caso, observará o comportamento auditivo e procederá o exame físico das estruturas do ouvido, nariz e das diferentes partes da faringe. O passo seguinte é o encaminhamento para a avaliação audiológica. No caso de adultos, em geral a queixa de alteração auditiva é do próprio indivíduo, e, no caso de trabalhadores expostos a situações de risco para audição o encaminhamento poderá advir de programas de conservação de audição. 1- ASHA - American Speech and Hearing Association 2- Northern, J., Downs, m.p. (1991) Hearing in children (4th ed.) Baltimore Williams & Wilkins 3- OMS - Organização Mundial de Saúde 4- Bess, F. H. e Humes, L. E. (1995) Audiology: The Fundamentals. Baltimore Williams & Wilkins
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