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Cristianne
Akie Kavamoto*
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* Médica-fisiatra coordenadora da equipe infantil da Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 1- Definição / Conceito É o termo utilizado para definir um conjunto de distúrbios motores decorrentes de lesão no cérebro durante os primeiros estágios de desenvolvimento. Pode ocorrer também alteração mental, visual, auditiva, da linguagem e do comportamento. A lesão é estática: não muda e não se agrava, ou seja, o quadro não é progressivo. No entanto, algumas características podem mudar com o tempo. 2- Causas O fator
causal pode ocorrer antes, durante ou após o parto. 3- Identificação e Diagnóstico O diagnóstico é clínico, ou seja, deve ser feito através da história e exame físico da criança realizado por médico habilitado. Os exames complementares, como tomografia computadorizada, podem não ter correlação com a gravidade do quadro (não irão determinar se o quadro é grave ou não, mas apenas constatar a presença da lesão), mas são importantes para determinar a etiologia. O diagnóstico precoce é fundamental para que o tratamento seja estabelecido de forma precoce. 4- Desenvolvimento São
as alterações que ocorrem na vida de uma pessoa desde
seu nascimento. Ocorre no sentido da cabeça para os pés.
O padrão de normalidade é definido a partir da média
de uma população considerada normal. O seu bebê faz isto? Leia com atenção estas informações, você poderá observar e perceber se o seu bebê está fazendo o que é esperado em cada fase de desenvolvimento. Caso o bebê apresente dificuldades, procure o pediatra e informe o que está acontecendo, ele poderá explicar e orientar você sobre o que fazer. Importante lembrar que os dados abaixo (em cada fase), representam o que a maioria dos bebês consegue fazer e que cada bebê apresenta condições diferentes de desenvolvimento. RECÉM-NASCIDO Ao nascer, o bebê mantém uma relação muito forte com a mãe, sentindo-se como fazendo parte do seu corpo. Nesta fase, o bebê deita em posição fetal (corpo encolhido), mantendo as mãos fechadas. Reage ao som, a luz e ao toque.
AOS TRÊS MESES A partir dos três meses, o bebê consegue sustentar a cabeça, ficar com os braços soltos e as mãos abertas. Começa a sorrir e seguir com os olhos e a cabeça objetos e sons apresentados. Presta atenção ao que está a sua volta e já tenta pegar os objetos mostrados, apesar de não conseguir. AOS SEIS MESES O
bebê já é capaz de pegar objetos que vê,
combina os movimentos das mãos e olhos, passa os objetos
de uma mão para outra. Se colocado de bruços (deitado
de barriga para baixo), vira de lado e de barriga para cima sem
ajuda. Arrasta-se de barriga para baixo. Começa a descobrir
o próprio corpo (é quando leva o pé à
boca). Reconhece objetos, manipulando-os e colocando-os na boca. AOS NOVE MESES Nesta fase, o bebê emite sons o tempo todo. Senta sem apoio. Engatinha e fica em pé com apoio.
Ao completar 1 ano de vida, a criança pode andar sem ajuda. Começa a falar as primeiras palavras e entende ordens simples. Imita o que vê e mostra o que quer com o dedo. É capaz de perceber coisas que estão escondidas. Gosta de brincar de "esconder" e tentar encaixar e empilhar objetos. AOS DEZOITO MESES A criança anda com segurança, porém corre desajeitadamente. Quer subir, abrir e mexer em tudo o que vê. Começa controlar "xixi/cocô" e usar o piniquinho. Fala mais palavras do que no primeiro ano de vida.
AOS VINTE E QUATRO MESES (2º ano de vida) A criança corre com segurança, cria situações e histórias novas em suas brincadeiras. Gosta de rabiscar e é capaz de folhear as páginas de um livro.
Fonte: Folder elaborado pela APABEX (Associação de Pais Banespianos de Excepcionais), APABB (Associação de Pais e Amigos de Pessoas Portadoras de Funcionários do Banco do Brasil) e AME (Amigos Metroviários dos Excepcionais). 5- Classificação Há
vários tipos, dependendo da alteração motora
predominante. Dependendo
da distribuição das partes do corpo afetados, teremos: 6- Problemas associados São decorrentes da lesão neurológica da criança: convulsões, alterações visuais e/ou auditivas, alteração do comportamento, hiperatividade, déficit de atenção, alteração da deglutição, mastigação, atraso na linguagem, alterações dentárias, etc. Cada distúrbio deve ser diagnosticado e tratado adequadamente. O comprometimento mental é muito variável; nem todo portador de PC tem deficiência mental. 7- Prognóstico A evolução da criança depende do seu potencial e da resposta ao tratamento realizado. 8- Reabilitação A
reabilitação da criança com paralisia cerebral
deve abranger todos os aspectos do desenvolvimento: motor, psicológico,
comunicação, social e cultural. Deve ser realizada
por equipe interdisciplinar com a participação de
diferentes terapeutas, sendo o envolvimento da família essencial
para a realização e sucesso do tratamento. Os familiares
não se tornarão terapeutas ou técnicos, mas
devem aprender noções básicas de como lidar
com a criança e como realizar sua estimulação
em casa. Os exercícios são a medicação
que a criança deve "tomar" todos os dias em casa.
O objetivo do tratamento varia para cada paciente, mas deve sempre
visar a maior independência e melhor qualidade de vida possível. Sem estimulação não há desenvolvimento! |