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1.
DEFINIÇÃO
Segundo
a AAMR (Associação Americana de Deficiência
Mental) e DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais), por deficiência mental entende-se
o estado de redução notável do funcionamento
intelectual significativamente inferior à média, associado
a limitações pelo menos em dois aspectos do funcionamento
adaptativo: comunicação, cuidados pessoais, competência
domésticas, habilidades sociais, utilização
dos recursos comunitários, autonomia, saúde e segurança,
aptidões escolares, lazer e trabalho.
A deficiência mental pode ser caracterizada por um quociente de inteligência (QI) inferior a 70, média apresentada pela população, conforme padronizado em testes psicométricos ou por uma defasagem cognitiva em relação às respostas esperadas para a idade e realidade sociocultural, segundo provas, roteiros e escalas, baseados nas teorias psicogenéticas. Todos
os aspectos citados anteriormente devem ocorrer durante o desenvolvimento
infantil para que um indivíduo seja diagnosticado como sendo
portador de deficiência mental. Segundo VERDUGO1.
"Esta nova classificação tem importantes implicações para o sistema de prestação de serviços para essas pessoas. A primeira faz referência aos elementos diagnósticos da deficiência mental. Assim, a utilização de um único código de diagnóstico de deficiência mental se afasta da conceituado previa amplamente baseada no QI, que estabelecia as categorias de leve, médio, severo e profundo. Deste modo a pessoa era diagnosticada como deficiente mental ou não, com base no comprometimento dos três critérios de: idade de instalação, habilidades intelectuais significativamente inferiores à média, limitações em duas ou mais das dez áreas de habilidades adaptativas estabelecidas. "As
terminologias de deficiência mental leve, média, severa
e profunda deixam de ser utilizadas. Assim, um diagnóstico
poderia se expressar do seguinte modo: 'uma pessoa com deficiência
mental que necessita apoios limitados em habilidades de comunicação
e habilidades sociais. Este ou outros exemplos constituem descrições
mais funcionais, relevantes e orientadas à prestação
de serviços e ao estabelecimento de objetivos de intervenção,
que o sistema de rótulos em uso ate agora.
"Enquanto
as suas implicações para intervenção
com estas pessoas a importância que se atribui aos apoios
necessários reflete a ênfase atual nas possibilidades
de crescimento e potencialidades das pessoas; se centra no indivíduo,
nas noções de oportunidade e autonomia; e na convicção
de que estas pessoas hão de estar e pertencer à comunidade.
"Isto
pressupõe assumir e aplicar a noção de 'rejeição
zero', determinando a importância de dar para a todas as pessoas
os apoios necessários para fomentar a sua independência/
interdependência, produtividade e integração
na comunidade.
"O
sistema também reflete o fato de que muitas pessoas com deficiência
mental não apresentam limitações em todas as
áreas das habilidades adaptativas e, portanto, não
precisam de apoios nessas áreas não afetadas. Esse
sistema também exige uma mudança na concepção
de prestação de serviços, frente a uma orientação
de manutenção sobressaem as noções de
crescimento e desenvolvimento pessoal, o que implica em oferecer
alguns serviços continuados e variados para responder às
necessidades destas pessoas. Estas necessidades devem ser determinadas
através de avaliações clínicas e nunca
em função unicamente de um diagnóstico fechado
que rotula a pessoa.
"Em
resumo, o enfoque de três passos descrito busca proporcionar
uma avaliação detalhada do indivíduo e dos
apoios de que ele necessita. Isso permite analisar separadamente
todas as áreas em que podem existir necessidades e, então,
providenciar uma intervenção, uma vez reconhecida
sua interdependência. Esta abordagem permite que se tenha
o enfoque adequado para o tratamento ou para o planejamento dos
serviços que levem em consideração todos os
aspectos da pessoa. A partir do ponto de vista do indivíduo,
tem-se uma descrição mais apropriada das mudanças
necessárias ao longo do tempo, levando em conta as respostas
individuais para o desenvolvimento pessoal, para as mudanças
ambientais, para as atividades educacionais e as intervenções
terapêuticas. Finalmente, esta abordagem centra-se na possibilidade
que o ambiente social tem de oferecer os serviços e apoios
que aumentarão as oportunidades do indivíduo levar
uma vida pessoal satisfatória.
Definição e exemplos da intensidade dos apoios Intermitente:
Apoio 'quando necessário'. Se caracteriza por sua natureza
episódica. Assim, a pessoa não precisa sempre de apoio
ou requer apoio de curta duração durante momentos
de transição em determinados ciclos da vida (por exemplo,
perda do emprego ou fase aguda de uma doença). Os apoios
intermitentes podem ser de alta ou de baixa intensidade.
Limitado:
Apoios intensivos caracterizados por sua duração,
por tempo limitado, mas não intermitente. Podem requerer
um menor número de profissionais e menor custo que outros
níveis de apoio mais intensivos (por exemplo, treinamento
para o trabalho por tempo limitado ou apoios transitórios
durante o período entre a escola e a vida adulta).
Extenso:
Apoios caracterizados por sua regularidade (por exemplo, diária)
em pelo menos em algumas áreas (tais como na vida familiar
ou na profissional) e sem limitação temporal (por
exemplo, apoio a longo prazo e apoio familiar a longo prazo)
Generalizado: Apoios caracterizados por sua constância e elevada intensidade, proporcionados em diferentes áreas, para proporcionar a vida. Estes apoios generalizados exigem mais pessoal e maior intromissão que os apoios extensivos ou os de tempo limitado. " 2. TIPOS Os indivíduos portadores de deficiência mental não são afetados da mesma forma, assim, dependendo do grau de comprometimento. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 1976, essas pessoas eram classificadas como portadoras de deficiência mental leve, moderada, severa e profunda. Contudo, atualmente, tende-se a não enquadrar previamente a pessoa com deficiência mental em uma categoria baseada em generalizações de comportamentos esperados para a faixa etária. O nível de desenvolvimento a ser alcançado pelo indivíduo irá depender não só do grau de comprometimento da deficiência mental, mas também da sua história de vida, particularmente, do apoio familiar e das oportunidades vivificadas. 3. DADOS ESTATÍSTICOS Segundo a Organização Mundial de Saúde, 10% da população em países em desenvolvimento, são portadores de algum tipo de deficiência, sendo que metade destes são portadores de deficiência mental. 4. CAUSAS E FATORES DE RISCO São inúmeras as causas e os fatores de risco que podem levar à instalação da deficiência mental. É importante ressaltar entretanto, que muitas vezes, mesmo utilizando sofisticados recursos diagnósticos, não se chega a definir com clareza a etiologia (causa) da deficiência mental. A. Fatores de Risco e Causas Pré Natais: são aqueles que vão incidir desde a concepção até o início do trabalho de parto, e podem ser:
1
Siglo Cero. vol. 25(3). Pag. 5-25 |