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EDUCADORA HELLEN KELLER Hellen Keller tinha menos de 2 anos de idade quando ficou cega devido a uma febre intensa. Pouco tempo depois, perdeu também a audição. Ela aprendeu a fazer pequenas coisas, percebeu que lhe faltava algo. “As vezes, eu ficava parada entre duas pessoas que estavam conversando e tocava seus lábios. Como não conseguia entender o que diziam, ficava irritada. Em algumas ocasiões, isso me deixava tão brava que gritava e esperneava até a exaustão”, escreveu Keller. Entendo bem a sua raiva. Como fui um bebê prematuro de sete meses, me puseram numa incubadora. Naquela época, costumava-se despejar uma grande quantidade de oxigênio sobre o bebê, uma técnica que, desde então, os médicos aprenderam a usar com extrema cautela. Como resultado, perdi a visão. Fui
estudar num escola pública para deficientes visuais, mas a linguagem
braile não fazia sentido para mim. Eu achava esquisito o conceito
das palavras. Lembro-me de apanhar e ser insultada. Para Hellen, foi
ainda mais difícil: Ela era cega e surda. Posso
dizer a palavra “ver”, consigo falar a língua daqueles que enxergam.
Isso se deve às primeiras conquistas de Hellen Keller, que provou
que a língua pode ser a maneira de os cegos e surdos-mudos se tornarem
mais independentes. E como ela lutou para dominá-la. No livro Midstraim, ela descreve sua frustração com o alfabeto, com a linguagem
dos surdos-mudos e até mesmo com a velocidade com que seu professor
soletrava as palavras, desenhando-as na palma da mão. Ela era ávida
por conhecê-las. Eu
me lembro de como me sentia estimulada pelos livros, depois que finalmente
consegui aprender a linguagem braile. Aquela escola
era, para mim, como um orfanato. Mas as palavras, para ela,
e, no meu caso, a música, romperam o silêncio. Keller
conseguiu provar que, com a linguagem, era capaz de se comunicar com
o mundo dos sons e das imagens. Sou uma das benefiaciárias de seu
esforço: decidi por conta própria sair da escola de cegos e pude freqüentar
uma escola pública comum a partir dos 11 anos. Hoje sou cantora de
jazz. Por
mais milagroso que pareça o aprendizado de uma linguagem, a comquista
de Keller é resultado de um trabalho conjunto com Anne Sullivan, sua
professora, companheira e protetora. Sua maior realização veio depois
da morte de Sullivan, em 1936. Nos 32 anos seguintes, para surpresa
daqueles que apenas conhecem o seu livro The
Miracle Worker, Keller atuou em muitas outras áreas. “Meu trabalho
com os cegos é apenas parte do que eu sou. Sou solidária com todos
aqueles que lutam por justiça”, escreveu. Ela foi uma incansável ativista
pela igualdade entre os sexos e pelos direitos raciais. Keller
gostava de estar diante do público. Ela escreveu que adorava a onda
de calor humano pulsando ao seu redor. Foi por isso que aprendeu a
falar e discursar. Os cegos, mais do que aqueles que conseguem ver,
precisam ser tocados. Olhar alguém nos olhos é o mesmo que um toque
físico. Quando me apresento, tenho esse tipo de sensação com o meu
público. Hellen Keller deve ter sentido o mesmo – ela foi nossa primeira
grande estrela. |